quinta-feira , 18 junho 2026
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“Ato de formalidade“ e “vergonha“, senadores comentam ida do Brasil à posse de Maduro


Nesta sexta-feira (10), o chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro, tomou posse para um terceiro mandato como presidente do país, em meio à uma série de truculências, que fizeram com que diversos países não reconhecessem o resultado eleitoral da Venezuela.

O governo brasileiro decidiu manter a posição de enviar, à cerimônia desta sexta-feira, a embaixadora em Caracas, Glivânia Oliveira.

De acordo com uma apuração da CNN, a decisão gerou dúvida entre os diplomatas, depois de veículos de oposição noticiarem que a líder María Corina Machado havia sido presa na última quinta-feira (09).

A confirmação da ida de Glivânia não foi anunciada até o desfecho da situação de Corina, que foi liberada horas depois. 

A decisão aflorou uma discussão entre parlamentares de oposição e de governo.

Em entrevista à CNN, os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), defenderam os respectivos pontos de vista sobre a representação brasileira na cerimônia de Maduro.

Ciro Nogueira, presidente do PP e que foi ministro-chefe da Casa Civil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que a presença do Brasil no evento é uma “vergonha”.

 

 

“Não tenha dúvida, estamos todos nós, no país, estarrecidos com esse movimento do governo brasileiro, uma data emblemática esse dia 10, uma vergonha para o mundo”, argumentou.

Já o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, disse que o envio da embaixadora é “um ato de formalidade”, uma vez que o governo brasileiro já se posicionou sobre o resultado eleitoral na Venezuela, o que, de acordo com ele, “já azedou a relação”.

“Todo mundo sabe que a relação nossa com eles [Venezuela], nesse momento, não é boa. Agora, por enquanto, não tem uma proposta de rompimento, então está indo a embaixadora do Brasil lá para assistir a posse e evidentemente é um ato de formalidade”, afirmou.

Em agosto do ano passado, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou a dizer que a relação com a Venezuela está “deteriorada”.

Na época, em conjunto com a Colômbia e o México, o governo brasileiro tentou intermediar um diálogo entre Maduro e oposição, mas sem sucesso. Sem a divulgação das atas eleitorais por parte da Venezuela, o Brasil não reconheceu o resultado do pleito.

Ciro Nogueira avaliou que, neste caso, o país “deveria condenar, exemplarmente, essa situação que está acontecendo na Venezuela”, que, de acordo com ele, “envergonha todo cidadão de bem no mundo”.

“Em hipótese nenhuma poderíamos assumir, você se vender dessa forma porque tem relação comercial”, completou.

Jaques Wagner reforçou que o governo brasileiro não está apoiando a posse, mas, sim, reforçando o que chamou de “processo institucional”.

“A embaixadora vai, vai assistir a posse e está mantida a relação institucional com a Venezuela, o que não quer dizer concordância”, disse.



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