quinta-feira , 25 junho 2026
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Alimentos pioram visão do consumidor sobre inflação; alta na renda evita pessimismo


Os sucessivos aumentos nos preços dos alimentos elevaram as expectativas de inflação futura do consumidor nos últimos meses. Contudo, o avanço na renda da população ajudou a evitar um pessimismo mais exacerbado, segundo Anna Carolina Gouveia, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Em março, os consumidores previam uma inflação de 6,6% nos 12 meses seguintes, após ter alcançado 6,8% em janeiro. Em abril, houve novo arrefecimento a 6,4%. O resultado, porém, era mais baixo em setembro de 2024, com uma taxa projetada de 6,0%, quando os alimentos ainda começavam o atual ciclo de aumentos. Atualmente, já são oito meses seguidos de encarecimento dos alimentos, segundo a inflação oficial no País.

O indicador de expectativas inflacionárias dos consumidores, com série histórica iniciada em 2005, chegou a registrar uma inflação máxima projetada de 11,4% em dois momentos diferentes, em fevereiro de 2016 e em julho de 2022.

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Para Anna Carolina Gouveia, a melhora no indicador de expectativa de inflação dos consumidores em abril pode ser uma calibragem em relação aos meses anteriores de deterioração, diante de uma percepção de que a inflação não entrou em trajetória de crescimento explosiva.

“É possível que os consumidores possam ter reavaliado suas expectativas em relação ao início do ano ao perceberem que, apesar de alguma aceleração, a inflação não está em trajetória de crescimento explosiva”, justificou Gouveia. “Com o mercado de trabalho ainda forte e as pessoas com mais renda, elas conseguem fazer alguma substituição de itens, o que ajuda a conter um maior pessimismo. Apesar de não ser ideal, conseguem ajustar a alta dos preços nos seus orçamentos”, completou.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulou uma elevação de 5,53% nos 12 meses encerrados em abril deste ano. No mesmo período, os gastos das famílias com alimentação e bebidas acumularam um avanço de 7,81%.

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“O fato de a inflação não ter acelerado para dois dígitos, por exemplo, principalmente alimentos, é o que me parece ajudar mais nessa calibragem em abril”, justificou a pesquisadora do Ibre/FGV.

Houve melhora recente também nas perspectivas do consumidor para a inflação de mais longo prazo, num horizonte de três anos adiante: após um pico de 8,0% de inflação projetada em fevereiro, houve arrefecimento para 7,8% em março, descendo a 7,3% em abril.



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