quinta-feira , 4 junho 2026
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Indústria e serviços derrubam ‘prévia do PIB’, indicando perda de tração na economia


A retração de 0,2% no Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), reforça o cenário de desaceleração econômica. A expectativa do mercado era de alta de 0,10%, mas este resultado adiciona um elemento a mais à análise do Comitê de Política Monetária (Copom) para o início do ciclo de cortes de juros, projetado pelo mercado para o primeiro trimestre do ano que vem.

Este é o segundo resultado negativo consecutivo, após a queda de 0,19% em setembro — dado revisado pelo Banco Central frente ao recuo de 0,20% informado anteriormente.

Rodolfo Margato, economista da XP, afirma que a atividade doméstica tem desacelerado ao longo do segundo semestre, o que está em linha com a política monetária contracionista. “Isto posto, o mercado de trabalho robusto – apesar dos sinais iniciais de estabilização do emprego – e medidas fiscais expansionistas sustentam nosso cenário de resiliência da atividade à frente”, avalia. 

Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o dado deve intensificar as discussões sobre os próximos passos da política monetária. “Ele vai de encontro justamente com um dos pilares do último comunicado do Copom, que trata do ritmo de crescimento considerado ainda positivo pela instituição”, avalia.

Para André Valério, economista do Inter, “o cenário aponta para uma desaceleração já consolidada da atividade econômica, ainda que não intensa o suficiente para indicar uma recessão no horizonte”.

Leonardo Costa, economista do ASA, afirma que “o IBC-Br sugere queda moderada da atividade na margem, reforçando a leitura de perda de tração no início do quarto trimestre”.

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Queda disseminada

Valério aponta que o número destoa das estatísticas setoriais do IBGE, que indicaram crescimento nos três principais setores. 

Nas aberturas do indicador, Costa destaca que a queda foi disseminada, com ênfase negativa na indústria (-0,7%) e nos serviços (-0,2%). Na contramão, a agropecuária avançou 3,1% na margem, o que atenuou parcialmente o resultado agregado. Sem o suporte do campo, o IBC-Br teria recuado 0,3% no mês.

A discrepância entre o resultado negativo do IBC-Br e os dados setoriais positivos do IBGE (como a Pesquisa Mensal de Serviços) chama a atenção dos analistas. António Ricciardi, economista do Daycoval, explica que essa diferença ocorre devido à metodologia de ponderação: “Os pesos do PIB são diferentes dos pesos da PMS [Pesquisa Mensal de Serviços], principalmente no item de transportes”, diz.

Ricciardi ressalta que, apesar do descolamento nos números finais, a tendência é clara: “Os setores com maior dinamismo na atividade permanecem os não cíclicos, principalmente a agropecuária, enquanto os setores mais cíclicos, como indústria e serviços, apresentam um arrefecimento mais forte”. Para o economista do Daycoval, isso confirma que a política monetária está afetando justamente os segmentos mais sensíveis aos juros.

Nos setores industriais, intensivos em capital, os resultados foram fracos em diversos grupos, somando-se àqueles já afetados pelo aumento de tarifas, detaca Valério. Paralelamente, observa-se desaceleração contínua nas vendas de alimentos, tanto no varejo quanto em restaurantes.

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Projeções

O ASA mantém a projeção de PIB próximo de zero no quarto trimestre de 2025 (4T25), alinhada à desaceleração gradual da atividade doméstica observada no segundo semestre.

Para o Inter, a deterioração combinada à desinflação reforça a expectativa de cortes da Selic no primeiro trimestre, possivelmente já na reunião de janeiro. 

“Esperamos que essa tendência de acomodação do crescimento se mantenha ao longo do quarto trimestre, com o PIB apresentando estabilidade no período e encerrando o ano com alta de 2,2%”, conclui Valério.

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A XP projeta um PIB para o quarto trimestre de 2025 de 0,2% e de 2,3% para 2025.



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