segunda-feira , 13 abril 2026
Lar Brasil Governo tem janela para acelerar ajuste fiscal, avalia secretário do Tesouro
BrasilEconomia

Governo tem janela para acelerar ajuste fiscal, avalia secretário do Tesouro


Os desafios seguem muitos, mas o Brasil vive hoje conjuntura mais propícia para acelerar o ajuste fiscal e construir superávits primários maiores, que tornam possível a estabilização da relação dívida/PIB. A avaliação é do secretário do Tesouro, Rogério Ceron, para quem essa discussão passa sobretudo pelo enfrentamento do ritmo de crescimento da despesa dos gastos públicos e inclui uma nova reforma da Previdência, cuja despesa passou de 1% do PIB uma década atrás para 3% hoje.

No Rumos 2026, evento realizado pelo Valor Econômico, em São Paulo, Ceron rebateu críticas à forma gradualista com que a gestão petista pensa a consolidação fiscal, em palestra mediada por Fernando Exman, chefe da sucursal do Valor em Brasília, e Lu Aiko, repórter especial:

“As pessoas muitas vezes olham só para frente, pensam naquilo que é ideal. Mas olhando para trás, para os últimos dez, 20 anos, quanto do que se imaginou (como ideal) conseguiu ser implantado de fato?”

Viva do lucro de grandes empresas

Ele citou o arcabouço fiscal, acusado de ter muitas exceções, que acabam minando a efetividade da regra:

“Tem muitas exceções, mas toda vez que se criou alguma regra do tipo, acabou-se aprovando exceções. É muito difícil (fugir disso), dentro da nossa institucionalidade. O importante é não retroceder.”

Controle do gasto social

Em sua avaliação, hoje “está mais fácil de calibrar” o arcabouço na direção necessária.

Continua depois da publicidade

“O país está mais bem equilibrado socialmente e do ponto de vista econômico. Não precisa de uma nova PEC da transição. O desemprego está baixo, a inflação controlada e o crescimento, embora possa não ser aquilo que desejamos, é maior do que em muitos anos anteriores”, ressalta. “Não precisa incrementar o gasto social. Pelo contrário, tem gente saindo do Bolsa Família. Então a gente não tem nenhuma demanda muito premente.”

Ceron, cotado para assumir a secretaria-executiva da Fazenda com a saída do ministro Fernando Haddad para as eleições, ele salientou que o principal desafio, para 2027, é uma agenda “forte” de redução das despesas obrigatórias:

“Basta mexer em alguns parâmetros do arcabouço, por exemplo o limite de 2,5% (de crescimento real do gasto obrigatório). Se for alterado, tem efeito a médio prazo muito relevante. Mexe em indicadores como o salário mínimo, que corrige uma das principais despesas da União, que é a previdenciária.”

Outro ajuste que poderá ser feito a partir de 2027 é na rede de proteção social. Haddad tem falado sobre fusionar programas de assistência, rumo a um programa de renda mínima. A medida mira em melhorar a eficiência, destacou.

“Alguns programas estão sobrepostos, ou têm muita fraude, beneficiários inelegíveis. É preciso organizar para evitar casos como o do BPC (Benefício de Prestação Continuada), que ainda não é despesa muito relevante, 1% do PIB, mas não pode continuar crescendo 2 dígitos”, explicou. “Não sei se vai reduzir (o gasto social), mas pelo menos para evitar que ele tenha crescimento incompatível com a trajetória fiscal.”

Supersalários no alvo

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que um dos temas prioritários da pasta neste ano, no Congresso, é retomar a discussão de uma agenda moralizante e de regulamentação dos chamados “supersalários”. A declaração foi feita em vídeo transmitido durante o Rumos 2026.

Continua depois da publicidade

Durigan reforçou que o debate sobre a reforma administrativa deve começar no “andar de cima”, com a definição de qual regra sobre os salários do funcionalismo público deve valer de forma uniforme em todo o país. Segundo ele, não é adequado que órgãos, em diferentes estados, adotem interpretações administrativas próprias para atrair carreiras e melhorar suas finanças.

“É preciso ter uma regra nacional em que a gente diga de maneira muito clara quais são as opções, quais são as hipóteses juridicamente aceitáveis, constitucionalmente aceitáveis de ter pagamento de verba indenizatória. Isso vai permitir tanto confirmar o movimento recente do Supremo (Tribunal Federal) moralizante de acabar com os penduricalhos, mas também dar uma regra para o país”, disse o secretário.

Ceron disse ainda que é preciso enfrentar “de forma mais serena” o juro de longo prazo. E, nesse sentido, “não dá para fugir” de rediscutir o sistema previdenciário, defendeu.

Continua depois da publicidade

Com o conflito entre Israel, EUA e Irã, Ceron avaliou que, caso não chegue a cenário extremos, a conjuntura internacional pode beneficiar o Brasil, que segue como “porto seguro” a fluxos de investimentos estrangeiros, inclusive por estar fora de zonas de conflitos.

Ele disse que a alta do petróleo pode ter efeito positivo sobre as contas públicas, já que o país exporta a commodity e se beneficia de mais pagamento de royalties e dividendos da Petrobras, da receita de leilões do setor. Já o impacto sobre a inflação deve ser gerenciável.

O evento teve patrocínio de BTG Pactual, Febraban, FenaSaúde, Gerdau e Philip Morris Brasil; e apoio de Assaí e Embraer.



FONTE

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

BrasilEconomia

Varejo cresce em março, com ajuda de combustíveis, aponta índice da Stone

As vendas do comércio brasileiro cresceram 5,5% em março, de acordo com...

BrasilEconomia

Governo pode liberar saque de até 20% do FGTS para o pagamento de dívidas

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que que trabalhadores com renda...

BrasilEconomia

Banco Mundial e FMI realizarão reunião anual de 2029 em Abu Dhabi

As reuniões anuais reúnem banqueiros centrais, ministros das finanças e do desenvolvimento,...

BrasilEconomia

Presidente interino do Cade deixa autarquia e será substituído por outro provisório

O conselheiro Gustavo Augusto Freitas de Lima deixa o comando do Conselho...

TV CATRAIA WEB