segunda-feira , 13 abril 2026
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Juros altos travam investimentos no Brasil, dizem CEOs


Lideranças de grandes companhias que participaram do Rumos 2026, evento realizado pelo Valor Econômico, em São Paulo, afirmaram que as reformas em curso, a queda dos juros e o aumento da competitividade são centrais para impulsionar os negócios no Brasil. Uma das barreiras, porém, seria o complexo mercado de trabalho, com baixa disponibilidade de mão de obra e entraves que têm levado setores importantes da economia a perder profissionais para o trabalho informal em plataformas digitais.

Para o CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, o ambiente de negócios ainda impõe obstáculos ao financiamento a varejistas, o que limita decisões de investimento e expansão:

“Mas avanços microeconômicos podem melhorar o acesso a crédito e reduzir riscos no varejo”, afirmou. “É necessária uma agenda de reformas estruturais para destravar o ambiente de negócios.”

O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve trazer o primeiro corte de juros após um longo período com a taxa básica em patamares elevados. Segundo ele, seria importante reduzir o custo de capital.

“Precisamos discutir alavancas para uma queda estrutural da taxa de juros”, disse, em debate com mediação de Mônica Scaramuzzo, editora do Núcleo de Empresas do Valor, e Maria Luiza Filgueiras, editora do Pipeline.

Ele afirmou que é preciso instituições fortes, o que ajuda a reduzir o prêmio de risco e ampliar a segurança jurídica.

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“O tema fiscal é o tema da hora. O próprio secretário (do Tesouro, Rogério) Ceron, reconheceu que tem espaço para avançar. O arcabouço fiscal é lento (em melhora na dívida pública). O Brasil precisa fazer uma reforma orçamentária urgente, qualquer que seja o novo presidente.”

Já o CEO do Assaí Atacadista, Belmiro Gomes, citou o trabalho CLT no Brasil como trava ao setor produtivo. Para ele, uma modernização do regime formal seria um tema mais importante a ser debatido do que o fim da escala de trabalho 6×1.

“(O regime CLT) é muito para quem paga e pouco para quem recebe. Temos um paradoxo. De um lado, temos a pressão para reduzir a carga horária. Mas parte do crescimento do trabalho nos últimos anos foi de pessoas que estão trabalhando 12 horas por dia em plataformas e que preferem trabalhar mais para ganhar mais”, disse, sobre o aumento de trabalhadores em apps como iFood, 99 e Uber.

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Segundo ele, o debate deve buscar uma forma de o trabalhador ser mais remunerado:

“Na medida em que se compete com as plataformas digitais, foi criado um problema de (falta de) mão de obra.”

O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou que a escassez de mão de obra qualificada é um dos principais entraves à expansão de setores como energia e construção civil. Mesmo num cenário de demanda, disse ele, as empresas enfrentam dificuldades.

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“Muitas vezes não conseguimos aprovar investimentos que recuperem o capital”, afirmou, ao comentar os desafios para ampliar a capacidade produtiva, frisando que a transformação digital e o uso de inteligência artificial se tornaram centrais para a competitividade das empresas.

Para o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, além da Reforma Tributária, é preciso garantir um cenário macro forte e comércio internacional livre de burocracias para fortalecer o setor produtivo. Ele lembrou que as turbulências no cenário global têm sido constantes:

“Na Embraer, tratamos com objetividade e foco (o tema), com plano robusto para definir as medidas para mitigar as crises”, disse.

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Já a líder da Dow no Brasil, Mariana Orsini, pontuou que o país precisa seguir avançando em sua política industrial. Segundo ela, o Inflation Reduction Act, aprovado pelo governo de Joe Biden nos EUA, é um bom exemplo do qual o Brasil pode beber na fonte. Ela lembrou que a Dow fez um investimento grande numa unidade de polietileno no Canadá porque havia regras claras, abundância de matérias-primas e incentivos.

“Benefícios fiscais são essenciais para avanços nos setores que o Brasil decidiu escolher”, concluiu.

O evento teve patrocínio de BTG Pactual, Febraban, FenaSaúde, Gerdau e Philip Morris Brasil; e apoio de Assaí e Embraer.



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