segunda-feira , 13 abril 2026
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JPMorgan, Itaú e XP passam a ver Selic com queda menor ou em 15% com alta do petróleo


O cenário para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima quarta-feira (18) ficou mais conservador nos últimos dias, com revisões relevantes entre grandes casas após a escalada do petróleo no rastro da guerra do Irã. A mudança mais dura veio da XP, que abandonou a expectativa de corte de 0,50 ponto percentual e passou a prever manutenção da Selic em 15% ao ano. Já JPMorgan e Itaú BBA revisaram suas projeções para um início de afrouxamento mais cauteloso, com corte de 0,25 ponto na taxa básica.

No pano de fundo, o fim de semana manteve a dúvida sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e preservou o petróleo em torno de US$ 100 por barril, impedindo uma acomodação mais clara do risco externo.

Em comum, os economistas apontam que a alta do petróleo alterou o balanço de riscos para a inflação e tornou mais delicada a largada do ciclo de cortes. A leitura é de que preço da commodity no patamar atual reforça a pressão sobre preços administrados e piora o quadro para 2026 e 2027. A divergência está em medir quanto isso muda a decisão desta semana.

Viva do lucro de grandes empresas

Para o JPMorgan, um corte de 0,25 ponto ainda faz sentido porque preserva a sinalização dada pelo BC de iniciar o ciclo em março, ao mesmo tempo em que reconhece o aumento da incerteza. O banco diz que a decisão saiu “dos trilhos” com a guerra e que os efeitos do choque sobre preços globais e sobre o real ainda são incertos, o que deve levar o Copom a reforçar a dependência de dados nas próximas reuniões.

No Itaú BBA, o diagnóstico é parecido, defendendo que canais secundários do choque, como câmbio e expectativas, ainda permanecem relativamente contidos, o que impede uma guinada mais dura neste momento. Por isso, diz que o BC deveria começar o ciclo com um ajuste comedido de 25 pontos-base, levando a Selic a 14,75% ao ano.

Mais dura, a XP tem o diagnóstico de que, se o Copom já não estiver confortável para entregar os 50 pontos-base que pareciam mais prováveis semanas atrás, o melhor seria não cortar nada agora. “Em nossa opinião, existem mudanças e incertezas suficientes no cenário para justificar uma abordagem mais cautelosa de ‘esperar para ver’, sem comprometer a credibilidade do banco central”, argumenta o time liderado pelo economista-chefe Caio Megale.

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Essa virada das projeções também apareceu nos preços de mercado. Antes do conflito no Oriente Médio, as opções de Copom embutiam algo perto de 80% de probabilidade para um corte de 0,50 ponto na reunião de março. Desde então, a precificação ficou muito mais sensível ao petróleo, e o cenário de corte de 0,25 ponto passou a aparecer como a expectativa predominante, com alta da chance de manutenção.

O movimento contrasta com a fotografia captada pela pesquisa pré-Copom da área de análise de fundos da própria XP, divulgada antes dessas revisões mais recentes. Nesse levantamento com 23 gestoras de multimercados macro, 74% ainda esperavam corte de 0,50 ponto, 22% viam redução de 0,25 ponto e 4% apostavam em manutenção.



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