segunda-feira , 13 abril 2026
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Indústria elogia queda de juros, mas acha corte insuficiente para recuperar perdas


A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, foi considerada positiva pelas entidades que representam a indústria, mas o corte foi considerado “tímido” e “insuficiente” para incentivar os investimentos do setor de transformação e reacelerar a economia.

Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o gesto do BC na quarta-feira pode ser considerado “tímido”,  diante da necessidade do cenário econômico nacional. “Não há euforia de demanda que justifique tal rigor, independentemente de aspectos externos. Ao contrário, o que se observa é uma punição ao investimento e à inovação em favor da inércia da renda fixa”, criticou a entidade.

“O Brasil opera sob uma lógica de juros ‘absurdos’, onde as taxas praticadas no mercado atingem seis vezes o índice de inflação”, comparou Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em nota da entidade

Para a Fiesp, para que o País volte a crescer, é urgente que o governo assuma a responsabilidade sobre seus gastos excessivos e déficits, que já elevam a dívida pública para patamares próximos a 80% do PIB. “O Brasil não precisa de ajustes simbólicos, mas de um ambiente que deixe de ser hostil aos negócios e passe a fomentar o crescimento e a geração de renda.”

Na opinião da Confederação Nacional da Indústria (CNI) a medida tomada pela diretoria do BC será incapaz de interromper desaceleração econômica, destravar investimentos e reduzir endividamento. “A decisão (…) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto, é correta, mas insuficiente e (…) ainda não interrompe a queda da atividade econômica, não destrava investimentos, nem reduz o endividamento – sintomas da política monetária excessivamente restritiva”, apontou a Confederação.

“A inflação está em franca desaceleração e as expectativas de mercado para a alta dos preços seguem dentro do intervalo de tolerância da meta. Isso, por si só, já justificaria queda mais acentuada da taxa básica de juros. Essa cautela do Banco Central ainda é excessiva e seguirá penalizando ainda mais nossa economia”, argumenta em nota o presidente da CNI, Ricardo Alban.

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Para Alban, o BC precisa intensifique a magnitude dos cortes na Selic já na próxima reunião do Copom, prevista para o fim de abril. “Isso é necessário para viabilizar melhores condições de investimento às empresas, reduzir o endividamento das famílias e recolocar a economia em trajetória de crescimento. A flexibilização mais expressiva dos juros não é apenas desejável: trata-se de condição imprescindível para recuperar a produtividade nacional e o bem-estar social”, diz.

A CNI ainda destaca que, com a Selic em 14,75% a.a., a taxa de juros real situa-se em 10,4% ao ano, 5,4 p.p. acima da taxa neutra — aquela que não estimula nem desestimula a atividade econômica — estimada pelo próprio BCB em 5% a.a.

A Confederação calcula que a taxa de equilíbrio, capaz de conciliar pleno emprego e estabilidade de preços, deveria aproximar-se de 10,1% a.a., o que indica que a Selic atual é 4,6 p.p. mais restritiva do que o necessário para o controle da inflação.

Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), ainda que o movimento do BC seja coerente com a manutenção das expectativas inflacionárias dentro das metas previstas para os próximos anos e com o arrefecimento gradual do mercado de trabalho, o atual patamar de juros permanece significativamente restritivo, sobretudo para a indústria de transformação.

Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, pondera que o início da redução dos juros, mesmo que cauteloso, representa um alívio para a indústria, que enfrenta, além dos entraves internos, pressões adicionais sobre custos e cadeias logísticas globais decorrentes dos conflitos geopolíticos.

Para a Firjan, mesmo em um contexto de incerteza associado ao ciclo eleitoral, o compromisso com uma agenda estrutural crível de contenção de gastos é condição necessária para reduzir o risco-país e abrir espaço para juros menores de forma sustentável. “Sem o pilar da responsabilidade fiscal, não será possível alcançar um patamar de juros capaz de destravar o investimento e devolver à indústria o fôlego necessário para competir no cenário global”, aponta o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart.



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