segunda-feira , 13 abril 2026
Lar Pará Sistema simples com potes de barro ajuda agricultores a driblar seca no Pará; veja como funciona
ParáÚltimas notícias

Sistema simples com potes de barro ajuda agricultores a driblar seca no Pará; veja como funciona




Irrigação com pote de barro é solução para seca no Pará
No sudeste do Pará, uma solução simples e eficiente está mudando a realidade de agricultores familiares que, por anos, viram suas colheitas se perderem por causa da estiagem.
Batizado de Irrigapote, o sistema usa potes de argila enterrados para garantir água às plantas ao longo de todo o ano — sem depender de energia elétrica nem de altos investimentos (veja vídeo acima).
O renascimento de uma propriedade
A produtora Renata, de Tucuruí, é um dos exemplos dessa transformação. Depois de deixar a rotina estressante à frente de supermercados, ela encarou um grande desafio no campo: perdeu mais de mil plantas logo no início da produção por falta de água.
A solução veio a partir de uma parceria entre a pesquisadora Lutieta Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental, e uma universidade da Etiópia, onde a técnica foi desenvolvida.
Como funciona o sistema
O funcionamento do Irrigapote combina princípios simples da física e da biologia:
Captação: a água da chuva é coletada por calhas nos telhados e armazenada em reservatórios;
Distribuição: por meio de mangueiras e um sistema de boias, que evita desperdícios, a água chega até potes de argila enterrados próximos às plantas;
Irrigação inteligente: as paredes porosas dos potes liberam a umidade de forma gradual. As raízes percebem essa umidade, crescem em direção ao pote e chegam a se fixar na argila para absorver a água diretamente.
O sistema é eficiente: um único pote pode abastecer várias plantas, e há casos em que as raízes percorrem até 7 metros para alcançar a água.
Alternativa mais barata para o produtor
Para o pequeno produtor, o Irrigapote resolve dois dos principais desafios no campo: custo e acesso à energia.
Enquanto sistemas tradicionais de irrigação exigem investimento alto e uso de eletricidade, a tecnologia com potes de argila é mais acessível. Uma área com 100 potes custa, em média, R$ 8 mil — sendo o principal gasto a compra do material.
Em Capitão Poço, produtores de limão Taiti já começam a ver o retorno financeiro. Segundo o produtor João, o sistema permite produzir na entressafra, quando a caixa da fruta pode chegar a até R$ 100, o dobro do preço em períodos de maior oferta.
Sistema de irrigação permite produzir alimentos o ano todo
Interesse de novas comunidades
O sucesso da técnica também tem chamado a atenção de comunidades indígenas, como a Aldeia Trocará, e de comunidades quilombolas.
Nesses locais, o Irrigapote surge como uma alternativa prática e acessível para garantir segurança alimentar e viabilizar o cultivo de culturas perenes, como cacau e açaí.



FONTE

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

ParáÚltimas notícias

Exposição de arte contemporânea em Belém reúne mais de 130 artistas

Segundo o colecionador Eduardo Vasconcelos, o recorte reúne mais de 50 anos...

ParáÚltimas notícias

Moda amazônica sustentável: periferia de Belém aposta em upcycling

Em Belém, designers também têm incorporado essa lógica ao trabalho. O figurinista...

ParáÚltimas notícias

Palhaços voluntários levam humor a hospitais de Belém há 20 anos e ajudam no cuidado de pacientes

Iniciativa de voluntariado completa 20 anos levando acolhimento a pacientes Um projeto...

TV CATRAIA WEB