quinta-feira , 18 junho 2026
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exportação de nitrato de amônio é suspensa por um mês ante crise global


O governo da Rússia anunciou nesta terça-feira (24) a suspensão temporária das exportações de nitrato de amônio pelo período de um mês, com validade até 21 de abril. A medida, divulgada pelo Ministério da Agricultura russo, tem por objetivo garantir o abastecimento interno durante a temporada de plantio da primavera no Hemisfério Norte, priorizando o suprimento aos agricultores locais diante de uma crescente demanda internacional por fertilizantes nitrogenados.

A Rússia controla cerca de 40% do comércio global desse insumo e responde pela produção de um quarto do volume mundial de nitrato de amônio.

A decisão ocorre em um momento de restrição na oferta global, agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. O Ministério informou que todas as licenças de exportação anteriormente emitidas foram suspensas e que novas autorizações não serão concedidas neste intervalo, com exceção de operações vinculadas a contratos governamentais específicos.

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O nitrato de amônio é um componente essencial para o início do ciclo das lavouras. Embora a Rússia já mantivesse limites de exportação desde 2021, a interrupção total das vendas externas neste período reflete a impossibilidade de aumentar a produção nacional no atual cenário de crise gerada pelo conflito no Irã. O país é um fornecedor estratégico para mercados como o Brasil, que agora deve enfrentar ainda maior volatilidade nos preços e dificuldades logísticas para garantir a nutrição das culturas nesta safra.

Agricultores dos EUA pressionam

Nos Estados Unidos, uma coalizão composta por mais de 50 grupos de produtores estaduais e oito organizações nacionais enviou uma carta ao Departamento de Comércio pedindo a revogação das tarifas compensatórias (CVDs) sobre as importações de fertilizantes fosfatados provenientes do Marrocos e da Rússia.

A iniciativa, liderada por entidades como a Associação Americana de Soja (ASA) e a Associação Nacional dos Produtores de Milho (NCGA), ocorre no momento em que as taxas passam por uma revisão periódica obrigatória.

De acordo com comunicados divulgados pelas duas associações à imprensa, a manutenção desses impostos limita as opções de fornecimento e agrava as dificuldades econômicas enfrentadas pelos agricultores norte-americanos, que já lidam com margens estreitas e volatilidade nos mercados globais.

As tarifas foram originalmente implementadas em 2020, após uma petição da Mosaic Company, apoiada pela empresa J.R. Simplot, alegando que subsídios estrangeiros desleais prejudicavam a indústria doméstica. Entretanto, as entidades agrícolas argumentam que a medida permitiu que um pequeno grupo de corporações influenciasse os preços ao restringir a concorrência no mercado interno.

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O impacto financeiro é um dos principais argumentos da coalizão. Em 2025, os fertilizantes chegaram a representar 40% dos custos operacionais de muitas fazendas nos EUA.

O presidente da ASA, Scott Metzger, destacou que o insumo é essencial para o cultivo de soja e que taxas que encarecem a produção dificultam a viabilidade do agronegócio. “Precisamos de acesso a fertilizantes confiáveis e acessíveis para permanecermos competitivos e continuarmos produzindo para clientes locais e estrangeiros”, afirmou Metzger.

O setor ressalta, ainda, que o cenário de oferta piorou nas últimas semanas por causa do conflito no Oriente Médio, que afetou fluxos logísticos e preços internacionais. A expectativa das organizações é que o Departamento de Comércio e a Comissão de Comércio Internacional (ITC) levem em conta a situação dos produtores rurais durante a revisão das tarifas para restaurar o equilíbrio no mercado de insumos.

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