terça-feira , 16 junho 2026
Lar Brasil Trégua no Irã não deve trazer alívio imediato aos custos do setor aéreo, diz Iata
BrasilEconomia

Trégua no Irã não deve trazer alívio imediato aos custos do setor aéreo, diz Iata


O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), Willie Walsh, afirmou que o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã não deve trazer alívio imediato para o setor aéreo, especialmente no custo das passagens, diante das perturbações recentes no mercado de combustíveis. Durante evento em Singapura, Walsh disse que, mesmo com a eventual reabertura do Estreito de Ormuz, levará “meses” para que a oferta de querosene de aviação volte ao normal, em razão dos danos à capacidade de refino no Oriente Médio.

Segundo ele, a alta recente do petróleo já pressiona as companhias aéreas e tende a ser repassada aos consumidores. “Há uma correlação quase direta entre o preço do petróleo e o valor das passagens”, afirmou, acrescentando que o aumento das tarifas é “inevitável” diante do peso do combustível na estrutura de custos do setor.

Walsh ponderou que a indústria já enfrentou choques semelhantes e deve conseguir se ajustar, inclusive com redução de capacidade e gestão de preços. Ainda assim, ressaltou que o impacto de curto prazo depende da velocidade de normalização da oferta de combustíveis refinados, não apenas do petróleo bruto.

Apesar da reação inicial positiva dos mercados ao cessar-fogo, o executivo indicou que o setor aéreo continuará enfrentando pressões nos próximos meses.

Estoques de querosene

O diretor-geral da Iata avaliou que o choque recente no mercado de energia expôs fragilidades estruturais na oferta de combustíveis para aviação, especialmente pela ausência de estoques estratégicos de querosene. Em evento em Singapura, o executivo chamou atenção para o fato de que, ao contrário do petróleo bruto, países não mantêm reservas relevantes de combustível refinado. “Temos estoques estratégicos de petróleo, mas não de querosene de aviação”, afirmou, destacando que a segurança energética do setor depende cada vez mais da capacidade de refino.

Walsh também ressaltou que o impacto vai além da aviação, já que o querosene representa apenas uma parcela da produção das refinarias. “Não é só o combustível de aviação. Os outros 90% dos produtos refinados também são afetados”, disse.

Continua depois da publicidade

Segundo o diretor, o setor ainda enfrenta um descompasso no curto prazo, já que muitas passagens foram vendidas antes da alta recente dos custos, o que limita a capacidade de repasse imediato. Nesse cenário, o ajuste tende a ocorrer de forma gradual, à medida que novas tarifas incorporam o aumento das despesas.

O diretor acrescentou que a concentração da capacidade de refino em algumas regiões ampliou a vulnerabilidade global a choques de oferta e defendeu que governos reavaliem políticas energéticas.

Para Walsh, a crise deve servir de alerta para decisões mais orientadas por dados, com foco não apenas no petróleo, mas também na disponibilidade de derivados essenciais.



FONTE

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

BrasilEconomia

Produtos brasileiros podem estar sujeitos a tarifas de até 37,5% dos EUA, diz Amcham

Além do conjunto de tarifas propostas na investigação da Seção 301 específica...

BrasilEconomia

XP eleva projeção da Selic a 14% e inflação em 5,3% para o fim de 2026

Os riscos inflacionários estão mais claros e devem pressionar o Banco Central...

BrasilEconomia

Por que os EUA querem punir o Brasil por falhas no combate ao trabalho forçado

O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil entre os países que...

BrasilEconomia

Japão faz alerta enquanto operadores empurram iene para a zona de intervenção de 160

TÓQUIO, ⁠3 Jun (Reuters) – O iene se enfraqueceu a ⁠níveis que...

TV CATRAIA WEB