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Desculpas, condolências: o que Putin falou sobre queda de avião no Cazaquistão


No dia do Natal, na última quarta-feira (25), 38 das 67 pessoas a bordo do voo J2-8243 da Azerbaijan Airlines morreram após a aeronave fabricada pela Embraer cair perto da cidade de Aktau, no Cazaquistão.

O avião viajava da capital do Azerbaijão, Baku, para Grozny, capital da república da Chechênia, no sul da Rússia. A decolagem aconteceu às 7h55 do horário local (00h55, horário de Brasília) e a queda aconteceu cerca de duas horas e meia depois.

Uma autoridade dos Estados Unidos disse à CNN que os primeiros indícios sugerem que um sistema russo de defesa aérea pode ter provocado a queda acreditando que o avião era um drone ucraniano de longo alcance.

Mas como o presidente russo Vladimir Putin se manifestou sobre o episódio?

O primeiro pronunciamento veio ainda pela manhã de quarta-feira através do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Ligação ao presidente do Azerbaijão e condolências

“Infelizmente, o presidente do Azerbaijão, Aliyev, foi forçado a deixar São Petersburgo. Putin já ligou para ele e expressou suas condolências em conexão com a queda do avião azerbaijano em Aktau”, disse Peskov.

“Nós nos solidarizamos profundamente com aqueles que perderam seus parentes e amigos neste acidente aéreo e desejamos uma rápida recuperação a todos aqueles que conseguiram sobreviver”, acrescentou.

O presidente azerbaijano estava na Rússia para a cúpula da Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

“Investigação completa será realizada”, diz Putin

Ao discursar na abertura do evento, Putin comentou pessoalmente o acidente pela primeira vez.

“Antes de começarmos (nosso) trabalho, infelizmente, devo dizer algumas palavras sobre a tragédia que aconteceu em Aktau hoje. O avião caiu. Há pessoas mortas. Há muitos feridos. E como estávamos falando, em seu nome, gostaria de expressar minhas condolências às famílias das vítimas e de todos os feridos, e vamos torcer por sua recuperação”, declarou o presidente russo.

Putin acrescentou que enviou ao Cazaquistão um avião do Ministério de Emergências russo com funcionários da saúde e equipamentos necessários.

Ele também citou a ligação ao presidente do Azerbaijão “tendo em mente que o avião pertencia a uma companhia aérea azerbaijana”.

“Bem, repito mais uma vez, vamos torcer por uma rápida recuperação dos feridos e, claro, tenho certeza, uma investigação completa será realizada. Coordenaremos o trabalho de nossos serviços especiais e de aviação em todas as questões relacionadas a esta tragédia”, concluiu.

Pedido de desculpas por “trágico incidente”

Neste sábado (28), o Kremlin informou que o presidente russo ligou novamente para o presidente do Azerbaijão e pediu desculpas, sem assumir responsabilidade, “pelo fato do trágico incidente ter ocorrido no espaço aéreo russo”.

O Kremlin disse que o avião “tentou repetidamente pousar no aeroporto de Grozny [na Rússia]”, mas, ao mesmo tempo, as áreas de “Grozny, Mozdok e Vladikavkaz foram atacadas por drones de combate ucranianos, e os sistemas de defesa aérea russos repeliram esses ataques”.

Em seus comentários, Putin não disse que as defesas aéreas russas atingiram o avião.

O comitê investigativo da Rússia abriu um processo criminal em relação ao desastre, disse o comunicado.

Vídeos e imagens do avião após a queda mostram perfurações na fuselagem que parecem semelhantes a danos causados ​​por estilhaços ou detritos. A causa desses furos não foi confirmada.

O analista de aviação da CNN, Miles O’Brien, explicou na quinta-feira que o fato de o metal ao redor dos buracos estar dobrado para dentro mostra que houve “uma explosão próxima à cauda da aeronave”.

Aliyev, do Azerbaijão, disse a Putin que o avião “encontrou interferência física e técnica externa enquanto estava no espaço aéreo russo, resultando em uma perda completa de controle”, de acordo com uma declaração presidencial oficial sobre a ligação deste sábado.

Aliyev disse que as autoridades do Azerbaijão examinaram os buracos na fuselagem do avião, analisaram ferimentos de passageiros e tripulantes causados ​​por “partículas estranhas que penetraram na cabine durante o voo” e ouviram depoimentos de sobreviventes.

Queda de avião da Embraer perto de Aktau, no Cazaquistão.
Queda de avião da Embraer perto de Aktau, no Cazaquistão. • 25/12/2024 REUTERS/Azamat Sarsenbayev

Putin também expressou condolências pelo acidente em um telefonema com o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, neste sábado, disse o Kremlin.

Pelo menos cinco companhias aéreas suspenderam temporariamente voos para áreas na Rússia desde o desastre, incluindo Azerbaijan Airlines, Turkmenistan Airlines, El Al Israel, Flydubai e Qazaq Air.

A maioria dessas companhias aéreas citou preocupações com a segurança ao anunciar as suspensões.

Zelensky pede “explicações claras” da Rússia

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse no X (antigo Twitter) que também falou com Aliyev neste sábado e transmitiu suas condolências em relação ao “trágico acidente”.

“A Rússia deve fornecer explicações claras e parar de espalhar desinformação. Fotos e vídeos mostram claramente os danos à fuselagem da aeronave, incluindo furos e amassados, que apontam fortemente para um ataque de um míssil de defesa aérea”, disse Zelensky.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante entrevista coletiva em Kiev • 27/08/2024 REUTERS/Valentyn Ogirenko

Autoridades brasileiras e representantes da fabricante do avião, a Embraer, chegaram ao Cazaquistão na sexta-feira, de acordo com a agência de notícias estatal azerbaijana Azertac, enquanto as autoridades iniciam o processo de juntar as peças dos eventos que levaram ao acidente.

A Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO), a agência de aviação da ONU, disse que estava destacando um especialista no local como observador para a equipe de investigação internacional.

A agência também pediu uma “investigação abrangente e independente” e instou todas as partes envolvidas “a proteger todas as informações e registros relevantes como parte de sua cooperação total com o processo de investigação”.

A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, também pediu uma “investigação internacional rápida e independente” sobre o desastre, traçando paralelos entre o acidente recente e a queda do voo 17 da Malaysia Airlines, que foi abatido sobre território controlado por separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia em 2014.



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