segunda-feira , 13 abril 2026
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Palhaços voluntários levam humor a hospitais de Belém há 20 anos e ajudam no cuidado de pacientes



Iniciativa de voluntariado completa 20 anos levando acolhimento a pacientes
Um projeto voluntário que usa o humor como ferramenta de cuidado à saúde mental tem transformado, há 20 anos, a rotina de pacientes internados em hospitais públicos e privados de Belém. O Projeto Sorria reúne cerca de 50 integrantes que atuam diretamente com pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.
Quando a porta do quarto se abre, a visita chega fazendo barulho, brincando e chamando atenção. Em poucos segundos, o ambiente muda. O jaleco pode até confundir, mas ali a especialidade não é médica: é fazer rir.
Dentro das unidades de saúde, eles assumem outro papel: o de levar leveza para pacientes, acompanhantes e até profissionais da saúde. A atuação inclui brincadeiras, música, pequenas encenações e interação direta com quem está internado.
“Anima, acho graça… faz bem. Eu gosto de rir… não vende”, resume a aposentada Adna Alves de Souza, paciente que recebeu a visita do grupo.
Para os voluntários, o impacto vai além do entretenimento. “Eu acho mágico quando a gente entra na sala e consegue arrancar um sorriso, uma reação. Às vezes são palavras de incentivo que fazem diferença”, afirma a voluntária Géssica Brito.
O projeto também exige preparação. Todos os anos, os integrantes passam por formação que inclui técnicas de palhaçaria e noções de humanização hospitalar, voltadas ao cuidado com pacientes em diferentes contextos.
“Eles têm aula da arte do palhaço, de escuta, de presença. Existe toda uma formação para esse tipo de atuação dentro do hospital”, explica o diretor artístico do projeto, Ricardo Tomaz.
Durante as visitas, a improvisação é parte essencial. Em uma das apresentações, até a equipe de reportagem entrou na brincadeira. Entre uma mágica e outra, o que parecia simples virou surpresa — e riso garantido.
Mas, por trás do humor, há um efeito reconhecido também por profissionais da saúde. “Quando você afeta o humor do paciente, você interfere diretamente no bem-estar dele”, destaca Mauro Araújo, diretor da Unimed.
Segundo a coordenação do projeto, o alcance vai além dos leitos. “A gente atende o paciente, mas também quem está em volta: acompanhantes, equipe, todo mundo que está ali vivendo aquele ambiente todos os dias”, afirma Nelson Delgado.
Com atuação contínua ao longo do ano, o Projeto Sorria se mantém como uma das iniciativas de humanização hospitalar na capital paraense, mostrando que, mesmo em ambientes de dor e tratamento, ainda há espaço para o riso.
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