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qual o espaço para mais cortes de juros no ano?


A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, já indica que o conflito no Oriente Médio deve pressionar os preços neste ano, segundo economistas. Isso deve limitar o espaço que o Banco Central terá para continuar o ciclo de corte de juro, que atualmente está em 14,75%, dizem economistas.

Os dados, divulgados nesta quinta-feira, apontam inflação de 0,44%, frente à expectativa de 0,29%. Em fevereiro, o indicador era de 0,84% . Em 12 meses, o acumulado ficou em 3,90%.

Ao mesmo tempo, a divulgação do Relatório de Política Monetária, também nesta quinta, aponta para uma aceleração da inflação a partir do segundo trimestre do ano. A expectativa, que antes era de 3,5% ao fim de 2026, passou a ser de 3,9% – ainda mais distante da meta, de 3%.

Altas no IPCA-15: alimentação e passagens aéreas

Variação IPCA-15
Janeiro (%) Fevereiro (%) Março (%) Acumulado trimestre (%) Acumulado 12 meses (%)
Índice Geral 0,2 0,84 0,44 1,49 3,9
Alimentação e bebidas 0,31 0,2 0,88 1,4 2,17
Habitação -0,26 0,06 0,24 0,04 5,54
Artigos de residência 0,43 0,21 0,37 1,01 -0,22
Vestuário 0,28 -0,42 0,47 0,33 5
Transportes -0,13 1,72 0,21 1,81 2,41
Saúde e cuidados pessoais 0,81 0,67 0,36 1,85 5,87
Despesas pessoais 0,28 0,2 0,82 1,3 5,95
Educação 0,05 5,2 0,05 5,3 6,45
Comunicação 0,73 0,39 0,03 1,15 1,57
Fonte: IBGE

Segundo o IBGE, todos os nove grupos tiveram variação positiva em março. As principais altas no IPCA-15 estão nos preços das passagens aéreas e em alimentos.

Alexandre Maluf, economista da XP, destaca que a coleta de dados ocorreu no período anterior à guerra e, ainda assim, já colocou alta de 5% nas passagens aéreas, elevação que explica quase todo o desvio do mês em relação ao que era esperado. “Esse dado reflete uma inflação do passado, de quando a guerra tinha acabado de começar e trouxe impactos no diesel”, explica.

Ele afirma que os dados vieram em linha com a projeção, mas apontam uma pressão elevada para o IPCA fechado de março – quando o indicador irá pegar a variação de preços apurados de 1 a 31 de março, enquanto o IPCA-15 pega do dia 15 do mês anterior ao dia 15 do mês em que é divulgado. 

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Segundo Maluf, a expectativa é que a gasolina tenha alta de 3,% a 4% em março, colocando o IPCA geral em um patamar bem elevado. 

Além disso, os preços dos alimentos também pressionaram os dados do indicador, com alta nos itens in natura. Destaque para a variação de 20% no preço do feijão carioca, o que contribuiu para a alta de 1,1% na alimentação em domicílio, segundo Maluf.

Baixas no IPCA-15: serviços subjacentes e industriais

Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, destaca que os serviços subjacentes vieram mais baixos e os industriais tiveram resultado ligeiramente melhores. Isso aponta que o quadro qualitativo, quanto à dinâmica da variação de preços, ficou um pouco melhor do que o índice cheio sugere, segundo a economista-chefe. Porém este indicador ainda não foi afetado pelo aumento de preços relativos à guerra.

Projeção de inflação em alta

Na XP, a projeção da inflação para março está em 0,70%, ante 0,30% antes do início do conflito no Oriente Médio. 

Para o ASA, a projeção de inflação de 2026 é de 4,4%, afirma o economista da casa, Leonardo Costa, com pressão dos alimentos e dos combustíveis. Ele destaca que a média móvel de inflação apresenta estabilidade nos últimos três meses no núcleo de serviços, que segue operando acima do teto do regime de metas de inflação (de 4,5%). “Sem desaceleração adicional deste grupo, o atingimento da meta de 3% fica mais desafiador”, avalia.

Corte de juros

Para Maluf, o IPCA-15 ainda não deve mudar o “plano de voo” do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável pelas decisões sobre juros. Ele avalia que a próxima reunião, marcada para o fim de abril, deve continuar com o corte de 0,25 ponto percentual, como ocorreu no encontro deste mês, levando a Selic para 14,50%. “Eles devem seguir cortando no curto prazo, embora os dados coloquem forte incerteza sobre até quando e até quanto eles poderão cortar”, avalia. Para a XP, a Selic deve fechar o ano em 12,75%.

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José Faria Júnior, sócio e analista da Wagner Investimentos (WIA),  afirma que os dados do IPCA-15 e o Relatório de Politica Monetária não deixam muito espaço para cortes de juros. “Nossa visão é que o Copom reduzirá o ritmo de corte e eventualmente irá pausar o movimento”, afirma. Ele estima que o cenário mais provável é de que o Copom faça “cortes mais modestos” da Selic nas próximas duas reuniões e, caso não haja solução para a guerra, o Copom poderá manter os juros. 

Para Leonardo Costa, do ASA, a deterioração do quadro inflacionário de curto prazo, com resistência em patamar elevado das medidas do núcleo de inflação, devem limitar o ciclo de corte de juros do Banco Central. 

Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, afirma que segue com a visão de um cenário desafiador à frente, com taxa terminal em 13%.



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