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Santarém 365 anos: confira histórias de personalidades que ajudam a escrever a história da 'Pérola do Tapajós'




Antonio (Babinha), Williams Sousa (Coruja) e Herbert Farias (Cacheado)
Arquivo pessoal
Santarém, no oeste do Pará, completa 365 anos nesta segunda (22) e muitas personalidades contribuem para enriquecer a história do município. Por isso, o g1 preparou uma reportagem especial que resgata a memória e o cotidiano da “Pérola do Tapajós” através de quem faz a cidade pulsar: desde figuras folclóricas conhecidas por gerações até trabalhadores do dia a dia cujas trajetórias se entrelaçam com a identidade santarena.
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Entre diversas personalidades marcantes, o g1 conta a história de personagens emblemáticos que fazem parte da vida e da memória de muitos santarenos por sua simpatia, irreverência ou até mesmo pela atividade comercial que desenvolve na cidade.
Entre eles estão o Antonio, o Williams e o Herbert. Falando assim, talvez sejam nomes “comuns”, mas se falar “Babinha”, “Coruja” e “Cacheado” da Garapeira Ypiranga, grande parte dos santarenos vão saber de quem se trata.
Agora no g1
A simpatia que conquistou as ruas: a presença icônica de Babinha no cotidiano santareno
Falar das calçadas de Santarém sem lembrar do Antonio é quase impossível para quem vive e caminha pelo Centro e pelos bairros mais tradicionais da cidade. É, pelo nome “original”, só os mais íntimos conhecem, mas falar do “Babinha” é falar de um personagem emblemático e muito famoso, principalmente na área central da cidade.
O Babinha é uma figura carismática e de uma doçura sem tamanho que transformou as ruas em seu próprio palco de interação social. Com seus trejeitos inconfundíveis, sua comunicação única e aquele sorriso que desarma qualquer correria do dia a dia, ele se tornou um patrimônio vivo do afeto santareno.
Há quem tenha medo e se assuste com a abordagem inusitada de Babinha, mas quem cruza com ele ganha, quase sempre, um momento de pura descontração que há décadas humaniza o asfalto da nossa cidade.
Antônio, o Babinha
Redes Sociais
‘Alô, Coruja!’: a voz marcante e o legado do repórter que dominou a comunicação local
Na história da imprensa e do rádio tapajônico, poucos nomes alcançaram a popularidade e o peso do Repórter Coruja. Com um estilo absolutamente inconfundível, voz potente e um faro jornalístico que o colocava sempre no rastro da notícia, ele ditou o ritmo da crônica policial na região.
Mais do que relatar os fatos da segurança pública, o Coruja entendia a alma do povo da periferia e dos bairros, traduzindo o cotidiano com uma mistura de seriedade, coragem e aquela malícia sadia que só o bom comunicador da Amazônia possui.
O Coruja na verdade se chama Williams Sousa e exerce a profissão de repórter policial há mais de 40 anos. Além de atuar na TV aberta, o Coruja tem ampliado horizontes, apostando na veiculação dos fatos policiais também nas plataformas digitais.
Ao g1, o Coruja contou que iniciou a trajetória na comunicação ainda em Belém atuando em emissoras de rádio. Em 82 veio a Santarém para buscar a mãe que estava passando uns dias com a irmã e nesse intervalo conheceu mais a cidade e as rádios locais e acabou fixando residência na Pérola do Tapajós.
“Não voltei mais para Belém, gostei da cidade, fiquei por aqui, tenho 40 e poucas honrarias como repórter policial, uma delas eu ganhei do Tribunal de Justiça do estado do Pará, quando a Dra. Maria de Nazaré me deu a honraria como amigos da justiça, juntamente com o Dr. Gabriel Veloso de Araújo”, lembrou Coruja.
Coruja lembra que entre os casos que cobriu, alguns deles marcou significativamente a sua vida, entre eles o caso de uma adolescente de 13 anos, a Toninha. A moça foi atraída por um homem que a violentou, matou e esquartejou. O repórter participou, inclusive, das buscas pelo acusado e cobriu a prisão do homem.
“Conseguimos pegar ele lá na toca da raposa e lá ele não negou que tinha matado essa menina e nós conseguimos a captura ele. Ele foi preso, processado, condenado, foi pra cadeia. Hoje ele já é falecido, o finado jacundá”, lembrou o repórter.
Além da irreverencia e autenticidade inclusive nos ‘looks’, Coruja se destaca pela solidariedade e de ajudar as pessoas que o procuram pedindo por ajuda, tanto que até hoje ele tem um quadro chamado “Solidariedade”, na emissora que trabalha – a RBA Santarém.
“São 40 anos como repórter policial, sempre defendendo a sociedade, sempre briguei por justiça, pelos injustiçados”, completou o repórter.
Williams Sousa, o Coruja
Redes Sociais
O sabor da tradição: ‘Cacheado’ e o atendimento que há décadas marca a Garapeira Ypiranga
No coração do Centro Histórico, a esquina da Garapeira Ypiranga funciona como um termômetro térmico e social de Santarém. E lá dentro, atrás do balcão, a figura do “Cacheado” é a engrenagem humana que por 60 anos deu vida ao ponto mais tradicional da cidade.
Servindo o clássico pastel de vento, frito na hora, acompanhado do caldo de cana estupidamente gelado, Cacheado não entregava apenas um lanche; ele distribuía uma boa conversa, memória e uma simpatia que atravessa gerações de famílias santarenas.
Hoje, aos 83 anos, Cacheado não atua mais ativamente na Garapeira Ypiranga. Ele foi afastado no período da pandemia da Covid-19, mas geralmente aos sábados frequenta o espaço para reencontrar os amigos para um bate-papo e ver se os trabalhos estão sendo executados com excelência.
A Garapeira Ypiranga é o ponto de encontro de pessoas de diversas classes sociais, desde o povo simples, ribeirinho, até as maiores autoridades, o ponto hoje é administrado pela filha caçula de Cacheado, Dalila Tapajós, que é quem gerencia o espaço e mantém o legado que iniciou em 1922.
“Nós o afastamos no período da pandemia, mas ele teve muita dificuldade em se acostumar dentro de casa. Eu assumi o espaço por ser a filha caçula, que morava com eles, então eu tive que assumir. Mas os amigos dele frequentam o espaço, então ele vem aos sábados bater papo e dar uma assistência aqui”, contou Dalila.
Políticos, estudantes, intelectuais e trabalhadores — todo mundo que senta naquelas banquetas acaba virando amigo de infância do Cacheado, o guardião de um dos rituais mais saborosos do cotidiano local.
Herbert Farias, o Cacheado da Garapeira Ypiranga
Arquivo Pessoal
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