sábado , 13 junho 2026
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Choque prolongado pode impor política monetária mais restritiva, diz dirigente do Fed


A vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Michelle Bowman, afirmou nesta sexta-feira, 29, que o impacto da guerra no Oriente Médio sobre a economia, embora ainda esteja sendo mensurado, pode levar a aumentos persistentes da inflação, exigindo uma política monetária mais restritiva.

“Estou otimista de que, assim que o conflito for resolvido, as interrupções no abastecimento (de petróleo) vão diminuir, deixando apenas um impacto temporário na inflação e efeitos mínimos sobre a atividade econômica. No entanto, caso as interrupções persistam até bem adiante no segundo semestre, poderemos começar a observar efeitos mais amplos na inflação”, ponderou ela, em discurso na Conferência Econômica de Reykjavík de 2026, na Islândia.

Para a dirigente, quanto mais persistentes forem os preços elevados do petróleo, maior será a probabilidade de ela considerar uma mudança de abordagem ao avaliar o equilíbrio de riscos. “A parte complicada é entender o que pode ou não ter efeitos persistentes sobre a inflação”, afirmou.

Segundo ela, a postura atual “moderadamente restritiva” do Fed busca manter condições estáveis no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, permitir que a inflação retome a trajetória rumo a 2% assim que os efeitos das tarifas e dos preços do petróleo se dissiparem. Reagir a um choque energético temporário pode prejudicar a economia, acrescentou.

Bowman disse ainda que o crescimento dos EUA tem se mostrado resiliente, mas que o mercado de trabalho segue vulnerável a choques adversos e que os avanços na redução da inflação parecem ter “estagnado”.

Em sua visão, uma alta de juros seria justificada caso os preços elevados se mostrem persistentes, em um cenário de emprego sem sinais de folga e de PIB crescendo bem acima do potencial.

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Sobre inteligência artificial, Bowman disse que ganhos de produtividade associados à IA podem exercer pressão baixista sobre a inflação. “Políticas favoráveis, incluindo regulamentações menos restritivas e impostos mais baixos para as empresas, provavelmente também contribuirão para essas condições”, acrescentou.



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