quinta-feira , 18 junho 2026
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Haddad afirma que há ‘espaço para melhorar as contas públicas


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira, 23, que há espaço para melhorar a situação das contas públicas, ao falar da política fiscal a ser adotada no próximo governo. Ele citou a aposentadoria dos militares, as emendas parlamentares, e os supersalários no funcionalismo entre as frentes que podem ser atacadas para um maior equilíbrio fiscal.

“Se o próximo governo fizer exatamente o mesmo esforço que este governo fez, as condições de estabilidade e trajetória da dívida vão ser conseguidas”, afirmou Haddad durante aula magna na abertura do ano letivo na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

Posicionando-se contra cortes de benefícios sociais, Haddad disse que o ministro da Fazenda não precisa de uma “serra elétrica”, mas sim de uma “chave de fenda” – ou seja, uma ferramenta para corrigir desajustes, sem prejudicar as camadas vulneráveis da população.

Viva do lucro de grandes empresas

“Serra elétrica vai machucar muita gente, como está acontecendo aí mundo afora. Não precisa disso. Se fizer o mesmo esforço que fez, preservando a base da pirâmide, a gente tem condição de ter crescimento sustentável”, declarou Haddad ao responder a uma pergunta sobre o próximo governo.

O ministro disse que, por meio, principalmente, do corte de benefícios a empresários, os chamados gastos tributários, o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai entregar as contas primárias em condição próxima de zero, após herdar contas do governo anterior que levaram a um déficit primário de R$ 230 bilhões em 2023.

“Não tenho receio do que precisa ser feito, do ponto de vista de preservação de direitos sociais importantes, que são caros a todos nós, mas, ao mesmo tempo, de dar uma resposta para a sustentabilidade fiscal”, declarou Haddad.

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O ministro reclamou ainda que, enquanto a direita o chama de “gastão”, a esquerda trata ele como um austericida. “Como é que eu posso ser as duas coisas simultâneas? Alguém está errado, e acho que os dois lados estão errados. O lado do austericida está erradíssimo … Tudo foi feito de maneira a preservar os direitos sociais. Mas isso tudo somado com a proporção do PIB, caiu, porque a economia cresceu. Como a economia cresceu, esse gasto como proporção do PIB ficou um pouco menor”, declarou Haddad aos estudantes de economia.



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