quinta-feira , 25 junho 2026
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Juro alto já causa atraso em investimentos em infraestrutura, diz diretora do BNDES


O ciclo de alta da taxa básica de juros (a Selic, que atingiu 14,75% ao ano, após sucessivas altas desde setembro) está atrasando alguns investimentos em infraestrutura e, por isso, o total de aprovações de novas operações do BNDES para o setor poderá não passar de R$ 80 bilhões este ano, disse nesta segunda-feira Luciana Costa, diretora de Infraestrutura e Mudança Climática do banco de fomento.

“Rodovias estão muito fortes (nas aprovações). Também temos projetos de saneamento e energia, mas não sei se dá para mais de R$ 80 bilhões”, afirmou Luciana, após participar de um evento de debates sobre transição energética, promovido pelo Fórum Econômico Mundial e pelo Ministério de Minas e Energia (MME), no Rio.

Segundo a diretora, os juros elevados são o principal motivo para não ter certeza se dá para aprovar mais de R$ 80 bilhões em financiamentos para a infraestrutura este ano:

“Alguns projetos, se podem atrasar um pouquinho o capex (os investimentos para a construção ou ampliação de ativos), vão atrasar.”

Nesse quadro, o BNDES tem lançado mão de novos instrumentos, que oferecem flexibilidade aos financiamentos, para mitigar os efeitos dos juros mais altos, disse a executiva.

Luciana citou a aquisição de títulos de dívida — as debêntures de infraestrutura, incentivadas por isenção de Imposto de Renda — das empresas que apoia, inclusive com ofertas “em fases”, como forma de dar segurança aos operadores de concessões de que poderão se beneficiar de condições melhores caso os juros baixem no futuro.

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Brasil está estável para investir, em contraste com os EUA

Mitigar o cenário de juros elevados é importante, segundo a diretora, porque o momento está positivo para o Brasil atrair investimentos estrangeiros em infraestrutura:

“Os investidores internacionais estão olhando o Brasil para investir.”

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Mesmo com seus problemas, a regulação, a segurança jurídica e o mercado brasileiros são relativamente estáveis, na comparação com outros países. E essa comparação melhorou recentemente, já que esses itens parecem ter piorado nos EUA.

“O Brasil conseguiu construir ao longo dos anos arcabouços regulatórios sólidos. Também é um lugar onde existe a percepção de que se respeita o Estado de direito. Nos Estados Unidos, o Trump está dando canetada toda hora”, completou Luciana.

Secretário do MME defende reforma do setor elétrico

Durante o evento, o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, Pietro Mendes, aproveitou seu discurso de abertura para defender a reforma do setor elétrico, proposta pelo governo em uma medida provisória editada há duas semanas.

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“Estamos chamando a reforma de Luz do Povo, porque vai garantir a 60 milhões de brasileiros mais segurança energética ainda”, afirmou Mendes, que representou o ministro Alexandre Silveira. “Famílias com renda até meio salário mínimo por pessoa e que consomem até 80 kW/h por mês podem ter a sua conta zerada. Tudo isso com a ideia de aumentar a inclusão energética.”

O secretário lembrou ainda que a reforma permitirá a abertura do mercado livre a consumidores de baixa tensão, como famílias e pequenos negócios. E demonstrou convicção de que isso levará a preços mais baixos.

Antonio Scala, presidente para o Brasil da italiana Enel, dona da concessão da distribuição de eletricidade em cidades como São Paulo e Niterói, elogiou a medida, ressalvando que ainda é preciso ver como ficará o formato final da reforma, após a conversão da MP em lei, no Congresso.

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“Acho que é bastante importante o que a MP aponta. Vivemos na Europa a experiência da liberalização do mercado já 20 anos atrás. Leva seu tempo para chegar e ter um sistema equilibrado. É algo muito técnico, difícil para fazer de forma perfeita, mas o esforço feito por parte do governo federal e do MME é algo que pode chegar a ótimos resultados para o país”, afirmou Scala, que também participou do evento no Rio.

Após os problemas com apagões recorrentes na área da concessão de São Paulo, Scala ressaltou que a companhia italiana elevou os investimentos no Brasil e já vem colhendo melhores resultados na prestação dos serviços.



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