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Mesmo com perdas causadas pelo clima, merenda escolar é mantida com produtos da agricultura familiar em Santarém




Produção da agricultura familiar fornece merenda escolar em Santarém
Agência Santarém/Divulgação
As mudanças climáticas têm imposto desafios crescentes à agricultura familiar no oeste do Pará. Com temperaturas mais altas, secas prolongadas e chuvas intensas, agricultores têm relatado perdas em lavouras, especialmente de frutas e hortaliças, que exigem maior controle ambiental para se desenvolverem. Apesar dessa instabilidade na produção, ainda está sendo mantida nas escolas o fornecimento de alimentos da merenda escolar, dependendo do período das safras.
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Segundo Thais Maia, secretária da Associação dos Produtores Rurais de Santarém (Aprusan), o calor excessivo tem afetado até mesmo frutas como o abacaxi, que amadurece mais rápido e perde o tempo ideal para comercialização.
“As hortaliças também estão muito sensíveis. Temos tido bastante dificuldade com os nossos agricultores. O principal desafio hoje é conseguir irrigar. A energia elétrica está muito cara, e muitos não têm condições de cavar poços ou manter bombas funcionando”, explicou.
Ela afirma que a associação tem buscado apoio junto à concessionária de energia e órgãos públicos para viabilizar alternativas de irrigação a custos mais acessíveis, garantindo a sobrevivência das pequenas produções que abastecem programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).
Na outra ponta dessa cadeia está a Secretaria Municipal de Educação (Semed), que precisa adaptar a alimentação nas escolas conforme a disponibilidade dos produtos fornecidos pelos agricultores da região. A coordenadora do Núcleo Técnico de Alimentação Escolar (NAE), Vanda Maia, destaca que o impacto é mais sentido em épocas de seca severa ou chuvas intensas.
“Quando chove muito, os produtores que cultivam ao ar livre não conseguem colher folhosas como alface, couve e cheiro-verde. Já na seca, principalmente nas áreas de várzea, a dificuldade é ainda maior. Há regiões que simplesmente não conseguem entregar os produtos na cidade”, explicou Vanda.
Apesar disso, a Semed mantém um sistema de substituição de alimentos. Quando um produto da merenda não está disponível, outro é incluído no cardápio para manter a qualidade nutricional.
Produção de abacaxi
RPC
“Graças a Deus, conseguimos equilibrar. Mas tudo depende da natureza. O planejamento é um, mas quem dá a resposta final é o clima”, pontua.
🧃 O que chega às escolas
Mesmo com os desafios, o município mantém ativa a parceria com os produtores, que, por meio de chamada pública, firmam contratos para fornecer alimentos durante 200 dias letivos do ano. Os itens variam conforme a safra e incluem produtos típicos da região.
“Temos farinhas e derivados, como tapioca, goma de mandioca, bolo de macaxeira. Também frutas como abacaxi, acerola, goiaba, taperebá e banana regional. Entre os legumes e raízes, recebemos jerimum, batata-doce, macaxeira e cará”, lista Vanda Maia.
Segundo ela, comprar da agricultura familiar do município fortalece a economia e garante uma alimentação mais saudável.
“É a certeza de que o aluno vai estar bem alimentado com produtos frescos, nutritivos e produzidos aqui mesmo, no território onde ele vive.”
PNAE fortalece a produção local e garante alimentação saudável
Além da alimentação, a merenda escolar em Santarém carrega também um papel educativo. A rede municipal tem incentivado a preservação ambiental entre os alunos, promovendo ações de conscientização sobre o descarte correto de resíduos.
“Os alunos aprendem que o meio ambiente precisa ser cuidado, pois dele depende a produção dos alimentos que chegam até eles. Se a gente cuida do rio e da terra, eles vão continuar cuidando da gente. A alimentação escolar é mais do que comida: é formação cidadã”, reforça a coordenadora.
O município de Santarém integra o PNAE desde 2009 e mantém parcerias ativas com associações e cooperativas rurais.
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