terça-feira , 16 junho 2026
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Peso argentino valoriza 44% é a melhor moeda de 2024, diz estudo; real é a pior


O peso argentino foi a moeda com maior valorização em termos reais, ou seja, descontada a inflação, em 2024, com um ganho de 44,2% nos primeiros 11 meses do ano. A moeda superou a alta de 21,2% da lira turca, que ficou em segundo lugar na mesma análise, segundo dados do Bank for International Settlements analisados pela consultoria GMA Capital. Já o real foi a pior no ranking, com depreciação de mais de 10% no período, considerado o efeito da inflação. As informações são do Financial Times.

A valorização do peso argentino, impulsionada por políticas econômicas do presidente Javier Milei, trouxe ganhos de popularidade ao libertário, mas também levantou preocupações sobre a competitividade do país.

Desde a posse de Milei em dezembro de 2023, o peso se manteve estável, mesmo com uma inflação acumulada de 112% no período. Isso resultou em salários que quase dobraram em dólares no mercado paralelo, aumentando o poder de compra e a confiança na economia. A diferença entre as taxas oficial e paralela caiu de 200% para menos de 20%, uma redução significativa atribuída às políticas de Milei, incluindo maior flexibilidade para exportadores converterem receitas no mercado paralelo.

Apesar dos ganhos, a valorização do peso, apelidado de “super peso”, está elevando os preços em dólares, impactando setores como o agronegócio e a indústria. Por exemplo, o custo de um hambúrguer Big Mac aumentou para US$ 7,90, contra US$ 3,80 no ano passado. Empresas como a siderúrgica Ternium relataram que os custos trabalhistas na Argentina ficaram 60% mais altos que no Brasil.

Desafios à frente

A manutenção de um peso forte exigiu esforços significativos do Banco Central da Argentina, que gastou dólares para estabilizar a moeda, complicando a recuperação das reservas cambiais. Analistas alertam que o cenário global, incluindo possíveis tarifas comerciais dos Estados Unidos sob o governo Trump, pode desencadear desvalorizações em mercados emergentes, colocando pressão adicional sobre o peso.

Milei afirmou que evitar uma desvalorização é essencial para a estabilidade macroeconômica do país, defendendo reformas fiscais, desregulamentações e investimentos em setores como lítio, petróleo e gás para melhorar a competitividade sem depender de uma moeda fraca.

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Perspectivas para 2025

O governo argentino espera manter sua política cambial ao longo de 2025, especialmente após uma anistia fiscal que atraiu dólares para a economia. Mas o cenário para o futuro é incerto, uma vez que Milei promete impor câmbio flutuante até o final de 2025.

Ao FT, Nicolás Dujovne, ex-ministro da Economia da Argentina, disse acreditar que a confiança no governo e a demanda por exportações possam manter o peso estável, desde que as reformas fiscais e o rigor na política econômica continuem. “Com uma moeda valorizada, cada passo na política fiscal se torna mais crucial”, afirmou.



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