quinta-feira , 18 junho 2026
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XP alerta que guerra EUA-Irã e alta do petróleo podem afetar corte da Selic


A XP Investimentos avalia, em relatório macroeconômico mensal, que o conflito entre EUA e Irã pode alterar o cenário econômico brasileiro devido à relevância dos preços do petróleo para as exportações, receitas fiscais e inflação do país.

Apesar de continuar prevendo cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual (p.p.) a partir deste mês até que a taxa Selic atinja 12,50%, a instituição financeira pondera que uma alta mais forte do petróleo pode levar o Banco Central a iniciar o ciclo de afrouxamento monetário de forma mais moderada, com um corte inicial de 0,25 p.p..

Ainda assim, considerando o elevado nível de incerteza neste momento, a casa optou por manter a premissa de preço do petróleo em US$ 60 por barril.

Viva do lucro de grandes empresas

Cenário político

As incertezas políticas também aumentam à medida que a campanha presidencial se aproxima, segundo a XP. A candidatura de Flávio Bolsonaro ganha tração, sugerindo uma eleição polarizada contra o presidente Lula. “Isto posto, não se pode descartar o
surgimento de um candidato alternativo de centro-direita”, comenta. “Em qualquer cenário, o vencedor enfrentará desafios fiscais relevantes.”

O país segue operando com déficit primário, mesmo com a arrecadação em níveis recordes, o que, na avaliação da XP, aponta claramente para problemas na dinâmica das despesas.

Diante desse pano de fundo, não a corretora não alterou significativamente suas projeções.

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Contas Públicas

A arrecadação tributária segue forte no curto prazo, ajudando o governo a cumprir suas metas de resultado primário – e a alta do petróleo tende a ajudar. Contudo, o cenário de aumento da dívida pública persiste, e os riscos fiscais podem crescer à medida que a eleição se aproxima.

O déficit em conta corrente deve continuar elevado em 2026 (3,1% do PIB), em linha com a expectativa de aceleração da atividade no curto prazo.

Por outro lado, a XP destaca que o aumento nos preços do petróleo pode contribuir para um déficiti menor do que o esperado. O recente salto nos preços do petróleo em resposta ao conflito no Irã, de aproximadamente US$ 60 para U$ 80 o barril, pode gerar uma reeita líquida adicional de R$ 21,4 bilhões neste ano.

Câmbio

A XP Investimentos acredita que as incertezas políticas, fiscais e globais tendem a pressionar os prêmios de risco de ativos brasileiros no segundo semestre. Com isso, a instituição financeira manteve a projeção de taxa de câmbio em R$ 5,60 por dólar ao final de 2026, ainda que reconhecendo os níveis mais apreciados no curto prazo.

PIB

A XP reiterou projeção de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, uma vez que a atividade econômica deve impulsos de renda e crédito, após estabilidade no segundo
semestre de 2025.

Para 2027, a projeção é de aumento de 1,2%, refletindo medidas de ajuste fiscal e condições monetárias ainda restritivas.

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Inflação

Segundo o relatório, os fundamentos para a inflação de curto prazo permanecem benignos, mas uma alta expressiva e persistente nos preços do petróleo e derivados implica viés de alta às previsões. Por ora, a casa continua projetando IPCA em 3,8% em 2026 e 4,0% em 2027.



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