domingo , 21 junho 2026
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Yellen critica investigação contra Powell nos EUA: “Mercado deveria estar preocupado”


A ex-presidente do Federal Reserve (Fed) e ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, fez duras críticas, nesta segunda-feira (12), à investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça do governo de Donald Trump contra o atual presidente do Fed, Jerome Powell.

Para Yellen, o caso coloca em risco a independência do banco central americano e ainda não foi levado a sério o suficiente pelos investidores. “Estou surpresa que o mercado não esteja mais preocupado. Me parece que o mercado deveria estar preocupado”, afirmou, em entrevista à CNBC, classificando a situação como “extremamente assustadora”.

As declarações vieram um dia depois de Powell confirmar que foi informado sobre uma apuração do Ministério Público em Washington, D.C., que avalia se ele mentiu em um depoimento ao Congresso, em junho, sobre um projeto milionário de reforma na sede do Fed.

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Até agora, o Departamento de Justiça não confirmou oficialmente a investigação, que poderia resultar em uma acusação de perjúrio.

Yellen reagiu à hipótese de que Powell teria mentido aos parlamentares e sugeriu que a iniciativa tem motivação política.

“Conhecendo o Powell como eu conheço, a chance de ele ter mentido é zero. Acredito que estão indo para cima dele porque querem a cadeira dele e querem tirá-lo de lá”, disse.

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Yellen comandou o Fed no início do primeiro governo Trump, mas foi substituída por Powell quando seu mandato terminou. Mais tarde, assumiu o Tesouro no governo Joe Biden, tornando-se a primeira mulher a ocupar os dois cargos.

Segundo Yellen, pressionar o banco central a cortar juros com o objetivo de baratear o custo da dívida federal distorce o papel da política monetária e fere a credibilidade da instituição.

“Você tem um presidente dizendo que o Fed deveria cortar juros para reduzir os juros da dívida federal. Discordo completamente disso. Esse é o caminho para virar uma república das bananas”, afirmou.

As críticas à investigação não vieram só de Yellen. Em um comunicado conjunto, ex-presidentes do Fed como Ben Bernanke e Alan Greenspan, além de ex-secretários do Tesouro como Timothy Geithner e Henry Paulson, classificaram o caso como um ataque sem precedentes à autonomia do banco central.

“Esse tipo de interferência é típico de países emergentes com instituições fracas, e costuma trazer consequências graves para a inflação e para o funcionamento da economia. Não cabe nos Estados Unidos, cuja maior força é o Estado de Direito, base do nosso sucesso econômico”, diz a nota.



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